domingo, 3 de janeiro de 2016

Coleccionador /Collector - Julião Sarmento

        


Fotografia de uma parte da exposição


       A exposição Afinidades Electivas de Julião Sarmento, que esteve patente na Fundação EDP de 16 de Outubro de 2015 a 3 de Janeiro de 2016, mostra o lado coleccionador do artista. Ao contrário do que estamos habituamos, não visualizamos obras do artista, mas sim a sua colecção. 
Vimos a visão do que interessa ao artista, em que notamos uma necessidade de possuir,apropriar e o trabalhar com imagens.Em que nos é dado a conhecer o lado recolector de Julião Sarmento,sentindo uma química e inúmeras ligações entre cem artistas e mais de trezentas obras. 
Delfim Sardo, o curador da exposição, defini a própria como “uma versão pessoal do que poderia ser o museu de arte contemporânea”. 
Visto que é composta por artistas com os quais Sarmento privou,tendo como exemplo: Fernando Calhau, Rui Chafes,Juan Muñoz,John Baldessari, Lawrence Weiner eJorge Molder. E outros tantos com os quais não privou, mas que mostram as suas preferências pessoais, como o caso de Robert Morris,Bruce Naumann e Andy Warhol.
Com tanta multiplicidade de obras na exposição para além de termos uma visão de opções estéticas e poéticas de Sarmento, também conseguimos ter acesso às transformações da arte que corresponde ao período do artista.
Ao caminharmos pelas salas expositivas e pela diversidade de obras (fotografias, vídeos,pintura, escultura, instalação,entre muitos outros),que se encontram divididas em pequenos núcleos.O primeiro impacto pode ser um pouco avassalador para os espectadores,que não tenham conhecimento na arte,principalmente contemporânea. Visto que o diálogo da exposição é feito entre obras e autores diferentes,é preciso ter algum conhecimento prévio para se compreender e reconhecermos o elo de ligação entre as mesmas. 
No entanto, para um espectador já conhecedor da obra do autor e da arte contemporânea, concordo plenamente quando o curador afirma que “nesta exposição não se sentem lacunas. É o resultado da vida, e a vida não tem lacunas é o que é.” Consegue-se extrair tópicos, que revemos na própria obra do autor, tais como: o interesse pelas vertentes da sexualidade, a relação entre os corpos, mas também o universo da arte conceptual e das suas inúmeras declinações. E isto devesse ao facto de as obras estarem inteligentemente colocadas e integradas,quase num modo natural. 
Somos levados pelo percurso,em que as obras instaladas de um modo peculiar, nos revelam a sua individualidade mas também a própria colectividade, aquilo que acrescentam umas as outras. 
Esta exposição é uma viagem bem particular, em que conhecemos os interesses pessoais e processuais de Julião Sarmento, que nos são dados a (re)ver e conhecer um leque de inúmeros de artistas, com ou sem renome ou,mas que de uma forma selectiva nos mostra a coerência que acontece na arte. 
A colecção de Julião Sarmento foi dividida em duas partes: uma parte na Fundação Carmona e Costa onde se encontram maioritariamente trabalhos de desenho,enquanto na Fundação EDP obras são de várias dimensões e técnicas que compõem o acervo.


EXPOSIÇÃO PERMANENTE DO MUSEU NACIONAL DO AZULEJO


No passado dia 3 de janeiro de 2016, desloquei-me até à Rua de Madre de Deus, perto de Xabregas, na zona oriental de Lisboa, para visitar e conhecer o Museu que aborda a história de um dos objetos mais reconhecidos da cultura portuguesa: o azulejo.
O Museu Nacional do Azulejo dá a conhecer, através da sua exposição permanente, a história do azulejo em Portugal, procurando chamar a atenção da sociedade para a necessidade e a importância da proteção do azulejo. A exposição permanente integra o património azulejar, objetos de cerâmica pertencentes às coleções do Museu, organizados pelos três pisos do edifício, onde o visitante passa por diversos espaços do antigo Convento da Madre de Deus, nomeadamente a Igreja, o Coro-Alto, a Capela de Santo António e a Capela da Raínha D. Leonor, conduzindo-o a uma viagem pela história do Azulejo em Portugal, desde finais do século XV até à atualidade. Esta visita – para além de ter sido gratuita – foi realizada para todo o público em geral, mediante inscrição prévia, e orientada por uma voluntária do Museu, Maria Luísa do Vale.

Fonte: http://www.museudoazulejo.pt/Data/ContentImages/Igreja01.jpg
Fig. 1 – Igreja do Convento de Madre de Deus

Após o acolhimento do público visitante na zona de receção e da bilheteira, o grupo foi conduzido até à Igreja do Convento de Madre de Deus (ver Fig. 1), onde a guia contextualizou historicamente o Convento de Madre de Deus, a Igreja, o fascínio do azulejo e como surgiu em Portugal, entre outros, assim como informou sobre todas as indicações e restrições que se deveria ter em atenção ao longo de toda a visita orientada, como a proibição do uso de flash das máquinas fotográficas e o não manuseamento ou toque nos azulejos, à exceção dos que eram próprios para o efeito. Se, por um lado, a guia aproveitou o espaço da Igreja que possui bancos para que os visitantes possam sentar e ouvir, de forma mais confortável, toda a explicação e contextualização histórica, por outro lado, foi um momento com demasiada informação transmitida, o que pode conduzir a uma dispersão de atenção por parte do visitante ou a não assimilação total dos conteúdos apresentados, sobretudo porque a projeção da voz da guia não era a mais adequada para um espaço amplo e onde o eco e o ruído inevitável da parte de outros visitantes do Museu são fatores inerentes e que exigem uma maior adaptação e adequação da comunicação da guia.
O Convento foi sempre alvo da melhor atenção e recebeu muita proteção da parte da Casa e família real, tendo sido, por isso, intervencionado ao longo dos séculos. A Igreja foi composta por azulejos, talha dourada em ouro verdadeiro proveniente do Brasil e douramento nas molduras das pinturas que decoravam o espaço e o Coro-Alto (ver Fig. 2). Citando as palavras da guia, “o azulejo é como o bacalhau, faz parte da cultura portuguesa: no entanto, a sua origem não é portuguesa, é árabe. Começou na era da Mesopotâmia e foi no Islão que começou a ser transportado o azulejo para outros países. (...) Os painéis de azulejos e a pintura destes terão surgido na Holanda, a partir do séc. XVII, e terá sido aqui que foram criados os azulejos da Igreja do Convento de Madre de Deus. Os azulejos portugueses eram diferentes dos holandeses: os segundos possuíam um brilho branco e uma maior perfeição e detalhe na pintura, com destaque para a utilização de um azul mais escuro.” (ver Fig. 2, à direita).

 
No início da exposição permanente encontra-se um pequeno núcleo e várias montras expositivas que demonstra e ilustra os materiais, as técnicas de manufatura do azulejo – a utilização de fornos a 1000ºC, a incisão, o alicatado, a aresta viva e a corda-seca – e alguns exemplares de objetos e painéis de azulejos e as suas respetivas pinturas e ilustrações. (ver Fig. 3). A partir do séc. XVII, surge o aparecimento da figura humana, pois até aqui só eram representadas formas abstratas.


Como se pode observar na Fig. 3, à direita, a descrição das peças e dos objetos é realizada com uma linguagem acessível, com uma definição dos conceitos e termos mais técnicos (como por exemplo, o termo “chacota”), assim como o tipo e o tamanho de letra selecionados são legíveis. O corpo de texto não é longo, é conciso e adequado, assim como existe uma tradução do mesmo em inglês. No entanto, este cuidado textual nem sempre é visível em toda a exposição. Apesar de serem escassas as situações, existem algumas montras expositivas em que só existe texto em português, nomeadamente na Sala Santos Simões, com a azulejaria barroca, no segundo piso. Toda a restante exposição encontra-se devidamente legendada com o máximo de informações possíveis, quer da própria peça (nome, motivo ou técnica utilizada na peça, local de proveniência ou de origem, o seu ano e a inventariação da peça na coleção), como também da contextualização histórica geral em painéis expositivos nas paredes das salas, com tradução igualmente em inglês.

Fonte: Própria
Fig. 4 – Segundo Piso do Claustro


Após a visita ao pequeno núcleo, o percurso expositivo segue uma organização cronológica. Da Capela de Santo António, pode-se aceder ao segundo piso do claustro (ver Fig. 4) e a primeira sala a visitar é composta pela produção de azulejaria rococó, pombalina e neoclássica, constatando-se o regresso à policramia no azulejo, com grandes composições figurativas cercadas por bordaduras assimétricas. À saída desta sala, é possível seguir “A História do Chapeleiro” (ver Fig. 5), um testemunho de um novo período da azulejaria portuguesa, que se caraterizava pelo interesse da burguesia na encomenda de azulejos. Este conjunto de 7 painéis narram a vida do chapeleiro António Joaquim Carneiro, um rapaz pobre do campo que foi para a oficina do seu tio, em Lisboa, onde aprendeu o ofício de chapeleiro. Posteriormente, abriu o seu próprio negócio que vai tendo sucesso, casou com uma viúva com 5 filhos e construiu a sua família, a sua fábrica e a sua quinta de residência. As diferentes cenas inscrevem-se num medalhão oval limitado por um friso de flores e com uma faixa com a indicação do episódio, destacando-se de um fundo branco com uma composição de ramos e pássaros com dois cestos de flores colocados nas laterais.


Fonte: Própria
Fig. 5 – “A História do Chapeleiro” (1790-1800)

Ao longo das paredes de duas das alas que rodeiam o segundo piso do claustro, encontram-se expostas as restantes produções dos séculos XIX e XX, com a introdução de novas técnicas e com produções industriais e semi-industriais de azulejos. (ver Fig.6).


À saída do claustro, sobe-se ao piso três, local onde se pode contemplar o “primeiro painel” do museu, a “Jóia da Coroa”, designada por “A Grande Vista de Lisboa”, um painel que descreve e ilustra a cidade de Lisboa antes do terramoto de 1755. (ver Fig. 7). No painel, Lisboa encontra-se representada e identificada desde o Convento de Madre de Deus até à Torre de Belém. Neste piso, a guia termina a sua visita orientada, explicando e localizando as várias zonas de referência de Lisboa, e comparando como e o que era antes do terramoto de 1755 e o que podemos encontrar nos dias de hoje, após este fenómeno histórico.

Fonte: Própria
Fig. 7 – “A Grande Vista de Lisboa”, primeiro painel do Museu

A exposição permanente do Museu Nacional do Azulejo é bastante interessante e apelativa, especialmente com a orientação de um guia. A realização desta visita de forma livre não oferece sequer metade da informação e dos conteúdos que foram transmitidos ao longo da visita guiada. Porém, existem pequenos detalhes que melhorariam as condições e a qualidade da visita. O recurso de mais painéis explicativos e descritivos das épocas, dos espaços do Convento e dos painéis de azulejos também permitiriam uma melhor assimilação das informações e dos conteúdos abordados, assim como os visitantes do Museu que optem pela visita livre e sem orientação, adquiram também alguns destes conhecimentos. A apresentação das condições e das restrições ao longo da visita – como por exemplo, fotografar sem flash, pisar apenas o tapete na sala do Coro-Alto ou não tocar nos painéis de azulejos – são apenas informadas pela guia, não havendo nenhum painel com estas informações, pelo que os visitantes que optem pela visita livre não têm conhecimento destas regras. Sendo um Museu do Azulejo, com vários painéis de azulejos expostos nas paredes, alguns destes com diferentes formas, texturas e relevos, sem estarem protegidos com alguma vitrina, os visitantes vão ter a tendência natural de querer tocar e sentir estas caraterísticas dos azulejos, quando, na realidade, é uma restrição enumerada pelo guia. A sinalização do percurso expositivo também não estava bem delineado e identificado, pelo que, mais uma vez, um visitante que opte pela visita livre, não tem bem sinalizado qual o percurso expositivo que deve realizar, tendo apenas uma ideia geral do possível percurso a partir das salas com as diferentes azulejarias organizadas de forma cronológica.
Toda a coleção, no geral, encontra-se bem iluminada e legendada, embora o texto desta legenda pudesse ter um tamanho de letra ligeiramente maior ou os painéis das legendas destacarem-se mais nas paredes, pois algumas destas legendas são desproporcionalmente menores em relação ao tamanho da obra correspondente. Algumas legendas e painéis explicativos possuem relevo com legendagem em braille, porém, não são todas.
Relativamente à acessibilidade do Museu, existem rampas de acesso e elevador, com acesso aos três pisos do Museu. Porém, existem zonas com escadas que não possuem rampas de acesso (como por exemplo, para aceder inicialmente à Igreja do Convento de Madre Deus), um dos espaços principais e de visita do Museu. Também existem outros espaços de lazer, como a cafetaria, a loja e as instalações sanitárias, com recurso a figuras de convite, igualmente expostas e referenciadas durante a visita.
O Museu Nacional do Azulejo é, sem dúvida, uma referência para e na cultura portuguesa, assim como procura preservar, estudar, conservar e divulgar exemplares representativos da evolução do Azulejo e da Cerâmica em Portugal. Considero bastante pertinente e relevante a forma como este se apresenta ao público em geral, assim como transmite conhecimentos e saberes sobre esta expressão artística diferenciadora. Aconselho e recomendo a visita a este espaço cultural.



Um círculo em escape à "modernolatria"



Sonia Delaunay (1885-1979)
Auto-retrato, 1916
Guache sobre papel
Col. CAM - Fundação Calouste Gulbenkian


Mariana Oliveira

A exposição intitulada “O círculo Delaunay”, patente no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, apresenta-nos o universo do casal Robert e Sonia Delaunay, num período fulcral das suas vidas – o das “férias grandes” –, a passagem por Portugal, a terra da “luminosidade violenta”. Nesta sua estadia pelo norte de Portugal, entre 1915 e 1917 em Vila do Conde, o casal Delaunay vai por em prática a sua pintura simultânea. O "simultaneísmo" consiste na teoria desenvolvida por Michel-Eugéne Chevreul[1] (1786-1889) de que a perceção visual das cores se modifica quando existe uma justaposição de cores complementares, parecendo mais intensas do que quando estão isoladas. Mais do que isto, os discos simultâneos ou órficos (termo mais conhecido), presentes nas criações artísticas de Robert e Sonia, são, antes de mais, uma captação “do dinamismo próprio da luz”[2]. Não podendo esquecer o contexto histórico - a vida moderna, a industria cultural – em que estavam inseridos, Robert e Sonia, vanguardista assumidos, encontram em Portugal, no seu tempo de refugio à deflagração da 1ª Guerra Mundial, uma escapada à “modernolatria”[3]. Escapulida com mais intervenientes importantes para a formação do círculo, em que faziam parte o nosso casal e os nossos amigos portugueses Amadeu de Souza Cardoso, Eduardo Viana, Almada Negreiros. 

A belíssima curadoria de Ana Vasconcelos não nos deixa ficar sem expetativa do que será o deslumbre desta exposição, desafiando-nos, logo à partida, com a apresentação da reprodução, em escala real, da pintura mural Portugal realizada para a Exposição Internacional das Artes e das Técnicas, no Palácio dos Caminhos de Ferro de Paris, em 1937. Esta receção, evidente no Hall que antecede a galeria das exposições do CAM, quente e estrondosa, dá-nos a primeira sensação “simultânea” deixada por Portugal a Sonia e Robert, completada com um registo pictórico de Eduardo Viana - “A Piteira” -, e fazendo referência direta à relação ativa entre ele e o casal.
A exposição continua no piso 1 e apresenta-nos, primeiramente, algumas das incríveis pinturas resultantes desta estada em Portugal, como se de uma capa de um álbum se tratasse – mais uma pequena provocação ao visitante que se empolga a querer desvendar este círculo embrenhado de luz e cor. Os pequenos apontamentos - as diferentes manifestações artísticas – que nos vão surgindo, revelam-nos os projetos, os lugares e os vários participantes deste “círculo órfico”. A viagem pode começar à mercê do visitante dado que, a dinâmica da escolha curatorial assim o permite, e é impossível não ficar maravilhado por todas estas propostas vibrantes. A “vida simultânea” é experienciada aqui na sua plenitude, tanto pelos artistas que formam este círculo como pelo espetador. Sonia Delaunay aparece-nos como protagonista desta dinâmica, e não podia haver melhor exemplo que o auto-retrato que deixo, aqui, por opção pessoal, como ilustração desta exposição. Arte e vida é a mensagem deixada como duas coisas indivisíveis. 

Esta viagem pode ser experienciada até dia 22 de fevereiro e ainda ser complementada como uma visita à sala arquivo, que nos permite visualizar cronologicamente as relações dentro deste círculo embrenhado na vibração popular e na sede de criar simultaneamente.


[1] Publicada em 1839 sob o título Da lei do contraste simultâneo das cores [...]
[2] VASCONCELOS, Ana [et al.], O Círculo Delaunay, Lisboa : Fundação Calouste Gulbenkian. CAM, 2015. ISBN 978-972-635-309-6. p. 19
[3] Idem, p. 16.

RELATÓRIO DAS II JORNADAS DOS MESTRADOS EM ENSINO



RELATÓRIO DAS II JORNADAS DOS MESTRADOS EM ENSINO

Leonor Wagner Alvim 

 
As Jornadas dos Mestrados em Ensinos têm como objetivo proporcionar à comunidade académica dos Mestrados em Ensino da Universidade de Lisboa, uma oportunidade de reflexão sobre questões atuais da educação e da formação de professores. Promove a divulgação de trabalhos e troca de experiências entre alunos recém-diplomados; contribui para a integração dos alunos recém-ingressos no curso, dando a conhecer diversas problemáticas que lhes estão associadas e as experiências de docentes, alunos e professores cooperantes. Por fim, pretende contribuir para a criação de uma identidade dos cursos do Mestrado em Ensino da Universidade de Lisboa.
A participação, neste encontro, pode ser feita através da exposição de trabalhos de alunos dos mestrados, recém-diplomados ou finalistas; e/ou através da assistência aos trabalhos, sendo esta destinada a toda a comunidade académica.
As II Jornadas foram realizadas no dia 6 de Novembro, no Instituto de Educação da Universidade de Lisboa.
Deu inicio ao ciclo de conferências a Professora Manuela Esteves, com a Conferência Plenária “O lugar da prática profissional na formação inicial de professores”.  A professora demonstrou a importância que a pratica de ensino supervisionada tem na formação inicial de um(a) professor(a), afirmando que esta é a componente central da sua formação.
Trata-se de um tempo de descoberta, exploração, sobrevivência e de por à prova. Deve incorporar funções na sala de aula, na escola, no sistema educativo e a sociedade. Os alunos necessitam de ter a oportunidade para observar e interpretar situações educativas, de fazer planificações, de as por em pratica, avalia-las, de identificar problemas, de pesquisar, comunicar e de trabalhar em equipa.
A pratica de ensino supervisionada faz a articulação real e produtiva, quer entre as diversas componentes da formação, quer entre os supervisores da instituição de ensino superior, os orientadores cooperantes das escolas onde se realizam os estágios e os formandos. O professor necessita de por em pratica os seus conhecimentos, fazendo a ligação entre o conhecimento e a ação em contexto, sendo esta feita em situações concretas de trabalho proporcionadas nos estágios. A pratica profissional é, ou deveria ser, considerada a componente central da formação de professores.
Terminada a comunicação da professora Manuela, os participantes dirigiram-se ao átrio do Instituto de Educação para observar a Exposição de trabalhos realizados ao longo do ano lectivo anterior.
De seguida, teve inicio o painel: “O papel do relatório na iniciação à pratica supervisionada” .
A primeira comunicação, “Um longo caminho para chegar a bom porto” de Teresa Braga e Cecília Galvão centrou-se no processo de trabalho ao longo do mestrado que culmina no relatório final. Foi uma comunicação muito útil para quem está na fase de iniciar o relatório, pois deram dicas e conselhos sobre as fases que irão passar, falando sobre as dificuldades e obstáculos a enfrentar e qual a melhor maneira de ter um final de semestre mais tranquilo.
Na segunda comunicação, “O relatório da prática de ensino supervisionada no mestrado em ensino da história e da geografia: especificidades de um modelo bidisciplinar”, Marco Godinho e Maria Helena Esteves deram a conhecer como é que o Mestrado em Ensino da História e da Geografia está organizado, como é preparado o relatório e as suas diferenças em relação aos outros Mestrados em Ensino. A maior diferença, visto este ter um modelo bidisciplinar, é que o trabalho começa por ser ensaiado na perspetiva da História e perspetiva da Geografia. São realizados relatórios em separado para cada uma das disciplinas, pois é assim que as disciplinas existem no sistema educativo português no 3.º ciclo do ensino básico e no ensino secundário.
A intervenção pedagógica é feita em ambas as disciplinas, 5 tempos de 90 minutos em História e outros 5 tempos de 90 minutos de Geografia, mas para o relatório final o candidato a Professor deixa cair todo o trabalho desenvolvido no âmbito de uma área científica para apresentar apenas a outra. O relatório final é disciplinar.
Marco Godinho e Maria Helena Esteves falaram ainda sobre as dificuldades sentidas e as principais aprendizagens que retiram da realização do relatório final. Por fim deram a conhecer que o modelo bidisciplinar foi substituído por um modelo disciplinar em direta relação com a concretização destas áreas científicas no ensino básico e secundário. Todos os estudantes que procurem prosseguir a sua formação na área do ensino da História ou da Geografia devem agora fazê-lo apenas numa das áreas disciplinares.
A ultima comunicação foi feita por Elisa Mendonça e Sandra Henriques e intitulada “A minha arte é ser eu”. Começaram por explicar que o título desta comunicação deu nome à exposição de trabalhos sobre autorretrato e autorrepresentação, realizados por uma turma do ensino secundário público no ano letivo de 2013/2014. Constitui também uma referência ao processo de construção da identidade de um novo professor de artes através do relatório sobre a prática profissional. Este foi um trabalho desenvolvido no decurso do acompanhamento da turma, e realizado com um conhecimento profundo dos contextos singulares dos alunos e das dinâmicas particulares que ocorrem no confronto entre as diversas variáveis da sala de aula.
 Apresentaram o processo e o desenvolvimento do trabalho, tanto como as dificuldades que enfrentaram para a realização do projecto. Uma das dificuldades encontradas foi a ideia de que a opção pelas Artes parece revelar que a escolha já não deriva da "vocação" mas antes resulta da fuga a outros campos. Assim, desenvolveram o principal objetivo de motivar para o trabalho escolar em todas as disciplinas, sobretudo o campo artístico, o que levou os alunos a compreender que é possível aprender e melhorar, treinando e explorando diariamente, que há ferramentas que nos permitem fazer essa exploração de um modo mais seguro. Nessas ferramentas foram incluídas as diferentes tecnologias, os conhecimentos acerca das abordagens e soluções apresentadas por diferentes artistas, o entendimento da contextualização económica, social e política de cada obra.
Terminaram com o pensamento de que “os processos de ensino e aprendizagem não são uma linha contínua, mas ocorrem com avanços e recuos sendo necessário reavaliar e reconduzir estratégias de ação. É necessário identificar o problema, procurar soluções muitas vezes fora dos modelos quotidianos e agir na busca de melhores aprendizagens.”.
Na minha opinião as Jornadas dos Mestrados em Ensino deste ano foram muito úteis para os alunos finalistas que irão iniciar o relatório de pratica supervisionada.  Alertou-os para a possíveis dificuldades que irão enfrentar e como as superar com tranquilidade. Foi também útil para os alunos que ingressaram nos mestrados em ensino neste ano lectivo, pois demonstrou o que terão de um dia fazer, permitindo que se focalizem já, para o trabalho que tem pela frente, ajudando-os a direcionar os seus interesses e motivações para o trabalho final.

sábado, 2 de janeiro de 2016

EXPOSIÇÃO: GRAÇA MORAIS – CENÁRIOS E FIGURINOS

Exposição de Pintura: "Esperança/Hope" de Teresa Pessoa

Num dia solarengo, daqueles em que nos apetece caminhar e a brisa outonal como que nos acaricia a face, chego finalmente ao meu destino. No âmbito do Openday da Lx Factory, visitei a exposição “Esperança/Hope”, patente durante todo o mês de novembro e início do mês de dezembro de 2015.
Este projecto artístico é da jovem Teresa Pessoa, amiga e colega de curso, com quem tive o prazer de partilhar o gosto pela arte ao longo da licenciatura em Pintura. Natural de Setúbal, este projecto foi a sua segunda exposição de pintura a solo, marcada pela temática da religião.
A exposição, alojada no terceiro piso do Edifício 1, tem nas longas paredes cinza o intimismo e a nostalgia que a grande escala nos impõe. Entro e dentro do espaço não posso, nem por segundos, alhear-me da sensação de solidão e compaixão que impera.
À entrada, Teresa confronta-nos com a seguinte citação da sua autoria:
“A Humanidade está cansada, exausta até.”
Os corredores transformam-se em Claustros de Mosteiros, em fornos de Auschwitz, em ruas mouriscas, em cânticos gregorianos, em fileiras de Guerreiros de Terracota, em Deusas hindus, em Budas cintilantes…  
As pinturas de pequena e média dimensão apresentam-se algumas muito detalhadas outras mais figurativas. Não são obras de fácil interpretação ou compreensão, todavia encorajam o espectador a estar concentrado no mais ínfimo pormenor.
Ao visitante são apresentadas, numa primeira série, seis pequenas pinturas, a tinta da china e a tinta acrílica vermelha sobre papel, onde é possível visualizar a humilhação sofrida e vivida pelos personagens rabiscados. Representam, talvez, as penitências perpetradas nos Autos de Fé da maléfica Inquisição.
Prosseguindo, encontro uma série de pinturas de maiores dimensões que representam: marchas fúnebres, procissões, cenas do quotidiano na religião hindu e campos de concentração. A autora, para além do cristianismo, também colocou em destaque ritos e praticas religiosas ligadas ao islamismo e budismo.
Devido ao choque de cores, uma das pinturas que mais me marcou foi a intitulada: “Tradição 2”. Esta pintura descreve uma cena dum festival religioso na China, no qual os personagens vestem máscaras monstruosas.
No entanto, o que me prendeu o olhar e me despertou os sentidos foram as cores garridas, os fortes amarelos, azuis e encarnados usados nas pinturas a acrílico de grande escala e que contrastam com a simplicidade do branco e preto das gravuras. O papel meio amarrotado e o traço brusco e ousado demonstram a destruição e os erros que a humanidade se submeteu ao longo da história.
- Em nome de quem?
Nesta exposição a religião é encarada com uma certa ambiguidade, a crença como salvação da alma e como perversidade do ser humano.


As representações de um refúgio - exposição de Rafaela Nunes

Letícia de Melo| Licenciada em Artes e Humanidades com major em Historia de Arte pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Mestranda em Crítica Curadoria e Teorias da Arte pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Trabalha como curadora independente, idealizadora da Incubadora de Artistas.



Rafaela Nunes  é uma jovem artista com quem tenho o prazer de trabalhar desde 2013. No conjunto do seu trabalho mostra grande capacidade poética tanto quanto sintética, ao reproduzir abstracionismos visuais, para onde somos sugados instantaneamente.  

Refúgio, sua primeira exposição individual onde fiz a curadoria, esteve patente entre 17 de Abril a 1 de Maio de 2015, na galeria da Incubadora de Artistas na Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul, Rafaela apresentou aproximadamente 20 obras, entre desenhos e pinturas, a artista também concebeu para a exposição um site-specific. 

Imagem de divulgação da exposição.



As obras tentam aproximar os estágios de uma partida; os possíveis  ideais de solidão, caminhos que devem ser percorridos apenas em nossa própria companhia. Ao findar esta jornada individual pela busca de respostas, o que apenas queremos é um lugar seguro, tranquilo e isolado de tudo - Um refúgio onde possamos processar o que a nossa alma apropriou-se e levará por toda vida. 

Esta quase utópica viagem que leva a não-lugares, Rafaela conhece muito bem, na capacidade mimética de reproduzir o conhecido e transportar o nosso olhar para o domínio da
 mancha, o traço, a linha, que a domina. As obras são uma espécie de tentativa de mapeamento destes refúgios: a casa, a cabana na floresta, a bóia ao mar... onde o espectador coloca-se no papel do viajante em fuga, já não mais desejoso em partir, mas ansioso em chegar.






Fotos da exposição.